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Quanto vale uma manifestação? Quanto vale ter milhares de pessoas a protestar à porta da casa oficial do Presidente da República? E o que representa ter a polícia de choque a guardar o palácio para impedir que essas pessoas possam entrar numa casa que também é delas?

E quem está disponível para participar numa manifestação? Os mais jovens, dirás, porque têm pouco a perder, porque ainda vivem em casa dos pais, porque ainda são dependentes, porque têm energia, porque têm sonhos, porque acreditam no impossível, porque acham que ainda conseguem mudar o mundo. 

Não!

Os disponíveis para esta nova luta têm 60, 65, 70 anos – e misturam-se com os jovens, e com os outros de todas as idades. Não são eles que usam petardos ou very-lights, mas são eles que largam as bombas: “Estou aqui pelos meus filhos e os meus netos, é preciso lutar pelos seus direitos”, “Trabalhei toda a vida e agora tiram-me o dinheiro sem qualquer justificação”, “Estamos fartos de ser roubados”, “Gatunos”. A escalada de argumentação coloca-os entre os mais indignados. São a nova geração à rasca: por si, pelos seus e por tudo aquilo que o Estado não consegue cumprir.

Uma nova geração à rasca que descontou toda a uma vida para a Segurança Social. Grande parte do seu salário era retirado todos os meses com a promessa de um fim de vida descansado. Essa era a esperança, a recompensa. Era, porque hoje, pessoas como o teu avô, que não trabalhou um único segundo para o Estado, vêem a máquina retirar-lhes os subsídios de férias e de Natal, vêem a carga fiscal aumentar. E sabes porque é que eles queriam esse dinheiro (o seu, por direito)? Para te ajudar, para ajudar os teus pais, a tua tia, a tua prima, a tua bisavó doente, o teu tio-avô desempregado. Não era para viajar pelo mundo, gastar o dinheiro em jantares ou em concertos na Casa da Música. 

É o Estado que os põe à rasca. Não é o partido A ou B. É o Estado e a sua máquina insensível, que abraça as franjas da população, mas que despreza quem mais contribui para a sua sustentabilidade.

Um Estado que nos diz para pagarmos ainda mais, explicando que não temos direito a mais nada e que muito provavelmente não teremos mesmo direito a nada quando também formos avós.

 

Artigo 63.º
Segurança social e solidariedade

 1. Todos têm direito à segurança social.

2. Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um sistema de segurança social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários.

3. O sistema de segurança social protege os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as outras situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho.

4. Todo o tempo de trabalho contribui, nos termos da lei, para o cálculo das pensões de velhice e invalidez, independentemente do sector de actividade em que tiver sido prestado.

5. O Estado apoia e fiscaliza, nos termos da lei, a actividade e o funcionamento das instituições particulares de solidariedade social e de outras de reconhecido interesse público sem carácter lucrativo, com vista à prossecução de objectivos de solidariedade social consignados, nomeadamente, neste artigo, na alínea b) do n.º 2 do artigo 67.º, no artigo 69.º, na alínea e) do n.º 1 do artigo 70.º e nos artigos 71.º e 72.º.

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One thought on “Segurança social

  1. Percebemos há muitos anos, os da minha geração, agora nos 60, mais 10-10…que o estado não é “pessoa de bem”. O estado a que isto chegou, e nos deixa sériamente preocupados, não só com o futuro dos nossos filhos e netos, mas com o nosso, deve-se exatamente à criminosa neglicência com que o “estado” o que era, supostamente nosso! E esta traição é tanto mais grave quanto sabemos que do lado dos espoliados, estavam cidadãos trabalhadores, dedicados que ,de boa fé, nele depositaram a sua confiança e muitas das suas esperanças… A isto chama-se BURLA! e eu não quero acreditar que não existam mecanismos para condenar os burlões a devolver o produto do roubo! Porque não?
    Porque não recorrermos às redes sociais, e ao poder que elas nos conferem, para iniciarmos uma petição…e depois avançarmos com uma QUEIXA CRIME, contra este encapuçado que nos assalta todos os dias, sem ser punido. Vamos a isso? Este é o desafio que deixo a todos os bloggers! Eu darei a cara sempre, para que se faça justiça! Helena Teixeira

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